quinta-feira, 19 de agosto de 2010

LXVII

Na escuridão de seu quarto, Claudio acorda assustado.
- Caralho, Ana! Tive um sonho muito estranho!
Ainda de olhos fechados, sua mulher tenta acalma-lo.
- Calma amor, volta a dormir! Foi só um pesadelo... - Ela abre os olhos, afasta as cortinas e percebe que ainda tá escuro lá fora. Tão escuro que ela nem quis se levantar pra olhar o quintal. - Daqui a pouco amanhece e você tem que ir trabalhar!
- É, mas foi muito estranho!
- Hmm... Me conta, sonhou de novo que eu te traía?... 
- Não, dessa vez foi diferente... Sonhei... que a luz acabava.
- hahaha. Deixa de besteira, eu paguei a conta ontem.
- Não. Eu tô falando de todo tipo de luz. Solar, elétrica... Como se alguém desligasse o disjuntor do universo!
- Besteira, aposto que Deus também paga a conta de luz! - Ela ri.
Ele responde com um sorriso abafado e a abraça, pronto pra voltar a dormir, antes que o despertador toque.
- Tudo bem, vamos dormir... Mas vê as horas pra mim, por favor?
Seguiu-se um longo silencio e, já impaciente, ele cutuca sua mulher e volta a perguntar:
- Ana, as horas?
Ela se senta na cama, fecha as cortinas novamente e responde.
- Onze e onze...
- Ainda? - Ele pergunta, sem acreditar que só estava dormindo há pouco mais de uma hora. 
- Da manhã! - Ela responde.

por helder garóti

Um comentário:

  1. Adorei, fiquei assombrado como em um filme de suspense!


    11:11 (rs)

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