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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

L

Anoushka

Era uma estrada de terra longa e quase infinita. O sol insistia em ir embora e me deixar sozinha. Algumas aves voavam desesperadamente pelo céu que começava, segundo a segundo, ficar cada vez mais escuro. Eu continuei caminhando. Um trovão ali, gotas grossas e frias despencavam do alto. Hoje tinha festa no céu e eu não fui convidada.

A chuva era perfeita e trazia calma. Já não havia nenhuma luz, somente a que eu carregava dentro de mim, mas era suficiente para iluminar o que os meus olhos queriam ver. Olhei pro céu e os deuses dançavam, e seu suor caia na terra seca fertilizando as sementes, brotando luz. Eu fui convidada para a festa. Obrigada Anoushka.

por flor baez

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

XLIV

Hoje eu acordei desejando a escuridão e a profundidade do vazio cósmico, mas não consegui. Levantei e disse para o dia: - Dê um rolê! E o rolê veio junto com uma sensação de liberdade e desapego de tudo que foi construído com sacrifício. Joguei tudo que tenho na escuridão sem me importar que pudesse mudar de idéia no cair da tarde. A única coisa que guardei foi a medalha de prata, um presente de uma amiga.
 
Do alto vejo um entulho de tudo que eu fui, com todas as velharias que me acorrentavam e iludiam com sua importância. Dei as costas para a porta e caminhei até o universo com o coração cheio de tags: cabelos desalinhados, mundo livre S.A, Devendra, medalha de prata, fruto, baixo. Mas minha alma chora.
 
por flor baez