por mazé mixo (texto) e henrique de sá (música)
Mostrando postagens com marcador Henrique de Sá. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Henrique de Sá. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 12 de outubro de 2010
I e XV Revisitados
domingo, 3 de outubro de 2010
XCVI
Grotovsky entrou na moda. Nos lugares em que se ouvia três pontos de sons percussivos agudos havia a interpretação de uma cena. Ontem eu estava andando no calçadão de Copacabana quando ouvi som de copo, triângulo e madeira na direção da areia. Entrei, nunca havia participado. Senti seios nos meus braços, fiquei excitado, senti pau nas pernas, ainda continuei excitado, até que senti cheiro de cocô e saí correndo. - Que gente louca!
por henrique de sá
sábado, 11 de setembro de 2010
LXXXV
Sete de setembro.
A voz do presidente soava potente nos alto-falantes, pras pessoas acreditarem que ele estava lá.
- Graças à nossa política de incentivo à pesquisa alcançamos o primeiro lugar em produção de inteligência escura. Em Viçosa foi desenvolvido o atual sistema de agricultura escura adotado pelas sete principais economias da América Latina. A USP realizou o primeiro transplante de órgãos, onde hoje já alcançamos mais de cem mil cirurgias escuras apenas no sudeste - .
Eu não aguentava mais, fechei a janela do apartamento e fui me vestir.
- Graças à nossa política de incentivo à pesquisa alcançamos o primeiro lugar em produção de inteligência escura. Em Viçosa foi desenvolvido o atual sistema de agricultura escura adotado pelas sete principais economias da América Latina. A USP realizou o primeiro transplante de órgãos, onde hoje já alcançamos mais de cem mil cirurgias escuras apenas no sudeste - .
Eu não aguentava mais, fechei a janela do apartamento e fui me vestir.
Na atual conjuntura do país, eu demorava a acreditar que ele estava falando de inteligência, agricultura e cirurgias. Lembrei de uma frase que ouvia sempre da minha bisavó:
- Meu filho, quando havia luz, eles eram exatamente assim. Não mudou nada. Mesmo no escuro eles continuam os mesmos. Político é político com ou sem luz.
Acabei de me vestir e fui contando os passos até o elevador.
Depois dos de sempre, 32 passos, cheguei ao elevador! Desci os 4 andares pensando "como seria enxergar com os olhos?" isso sempre me parece muito estranho. Enfim, mudei de idéia fui até onde estava o nosso mais competente presidente, sua voz firme e que expressava confiança, dominava o local! Do meio da escuridão e do silêncio uma voz surge em tom de grito fazendo uma pergunta "Senhor presidente? Senhor Presidente me dê a palavra..?..Senhor..." Sem sucesso, desisti da pergunta e de ser um cidadão "atuante". Dois anos depois descobrimos que naquele Sete de Setembro, aquele bonito discurso do presidente não se passava de uma gravação! Foi a maior crise da escuridão até hoje.
por henrique de sá, luana pinheiro, mazé mixo e veruska thaylla
Marcadores:
Henrique de Sá,
Luana Pinheiro,
Mazé Mixo,
Veruska Thaylla
domingo, 29 de agosto de 2010
LXXVII
por hanny saraiva e henrique de sá
Marcadores:
Hanny Saraiva,
Henrique de Sá
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
XLII
Patrick, Emanuel e Nadir deixam a sala de exposição interativa de sofás e entram na sala de instalações sonoras onde escutam:
- E agora vai saindo, saindo e líquido, saindo e gargalhante, saindo travisseirístico e peludo. E vira, vira na igreja, vira na caixinha de fósforos, vira na virilha, vira na intenção, vira a noite, vira de costas. Agora está parada, parada de metrô, parada de grafar braille, parada de atropelamento, parada de catalepsia, parada gay. Enfim morre, no dinheiro, de paixão, morre na primeira marcha, morre o assunto, morre de vontade. E tudo sobe, vai subindo e se espalhando, fofocas em prédios, flatos, fogos, fim de tempestade, pipoca, petróleo no fundo do mar, homem-bomba.
Continuam calados e seguem para outra sala do museu.
- E agora vai saindo, saindo e líquido, saindo e gargalhante, saindo travisseirístico e peludo. E vira, vira na igreja, vira na caixinha de fósforos, vira na virilha, vira na intenção, vira a noite, vira de costas. Agora está parada, parada de metrô, parada de grafar braille, parada de atropelamento, parada de catalepsia, parada gay. Enfim morre, no dinheiro, de paixão, morre na primeira marcha, morre o assunto, morre de vontade. E tudo sobe, vai subindo e se espalhando, fofocas em prédios, flatos, fogos, fim de tempestade, pipoca, petróleo no fundo do mar, homem-bomba.
Continuam calados e seguem para outra sala do museu.
por henrique de sá
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
XXXV
(na esquina, encostam a mão no akari shouji (estrutura de engenharia civil, paredes de papel) da discoteca japonesa e escutam uma música)
NOVATO PIMENTA
são vozes de edições de gravadoras, de produto musical, não acha? Essas cantoras Pop.
TEREZA ASSIS
não acho
NOVATO PIMENTA
são uquê?
TEREZA ASSIS
acho que são vozes alienígenas gravadas na Rússia e que se reproduzem sobre pixiels
NOVATO PIMENTA
nossa
TEREZA ASSIS
tá na cara que é isso
tão óbvio
NOVATO PIMENTA
são vozes de edições de gravadoras, de produto musical, não acha? Essas cantoras Pop.
TEREZA ASSIS
não acho
NOVATO PIMENTA
são uquê?
TEREZA ASSIS
acho que são vozes alienígenas gravadas na Rússia e que se reproduzem sobre pixiels
NOVATO PIMENTA
nossa
TEREZA ASSIS
tá na cara que é isso
tão óbvio
por henrique de sá
domingo, 1 de agosto de 2010
XXVII
por hanny saraiva e henrique de sá
Marcadores:
Hanny Saraiva,
Henrique de Sá
quarta-feira, 28 de julho de 2010
XIX
Um dia antes da escuridão ela pensou em se matar. Dois dias depois da escuridão ela está com a sua faca mais cara na mão. Lê cegamente Tramontina com os dedos, junta e levanta os cabelos com a mão enquanto evoca sensualmente o diabo – Receba este corpo em vida, deguste o meu ódio e o meu amor, minha face agora é sua (corta os cabelos com um golpe de faca), minha pele é sua luva (corta as alças do vestido, que cai ao pés) e qualquer temor é meu inimigo pecador! (enfia com o lado cego a faca gelada na calcinha e sussurra em hebraico) ללקק את השטן בתחת שלי... – Estefani puxa a calcinha rasgada que enrola nos joelhos e sai nua de sua casa colonial com escadas de pedras com a Tramontina na mão. Ela sente o gramado úmido ao mesmo tempo em que um embaralhado de pensamentos e adrenalina impulsionam o acelerar de seus passos, sente seus cabelos de uma forma nova ao mesmo tempo em que se lembra da intervenção satânica o que a faz diminuir os passos respectivamente em proporções contrárias enquanto chora, em 0 Km inicia um movimento de giro no próprio eixo e molha o cabo Tramontina levado ao rosto. Estefani fala consigo mesma enquanto para de soluçar: – Eu não preciso de ritual, criar sentido para as coisas, cortei meu cabelo, que merda, nunca mais “paranóia wicca” na minha vida! – Ela volta para casa, toma um banho, come, dorme e sonha: um shopping cheio de pessoas, torta de bacalhau, um diálogo de Telma e Selma de Os Simpsons e aspiradores de piscina.
por henrique de sá
segunda-feira, 26 de julho de 2010
sábado, 24 de julho de 2010
IX
O ataque global micro-estático de bloqueio de luz
- Mãe, se você está vendo tudo preto é porque não foi cegueira coletiva por contaminação da água, tudo ficou preto de uma vez só. – Fala ele enquanto pensa fragmentadamente ao mesmo tempo nas hipóteses de comercio sócio-existencial. – Eu sabia que os objetos eram incluídos e retirados do mercado através de ataques orquestrados, mas não sabia da possibilidade de um ataque global micro-estático de bloqueio de luz. Com certeza isso não é daqui! Mas o que me dá mais raiva é saber que quaisquer acordos interplanetários ou intergalácticos são negociados com governantes, chefes de estados e grupos de muitibilionários do mercado financeiro. E os direitos humanos? E a Democracia? – Sai andando rápido com os braços abertos tateando as paredes enquanto pensa: eu não vou repensar toda a minha dinâmica existencial enquanto não obtiver respostas, imagina, “notícias do dia do jornal cultura oral”, todo mundo repetindo nas esquinas as notícias do dia, Que inferno, porque comprei piano elétrico, vou pegar o violão, não, vou fumar um cigarro. Ascende o cigarro e pensa: Que merda é essa?! Vírus, Bactéria? Caralho, e a indústria? Então fala, - Meu Deus! – anda rápido pelo corredor do quintal, esbarra na cachorra, escuta o som dos vizinhos na rua e grita: - Que porra é essa hein Lobato?! – responde, - Meu pai ta doidinho lá dentro! (risos) Pega lá seu violão, vem pra cá fazer um som!
por henrique de sá
Assinar:
Postagens (Atom)