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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

CXXIV

Peguei papel e caneta, e rabisquei o sol.
Repentinamente, tudo escureceu.
Esfreguei os olhos,  olhei ao redor. Nada. Ainda estava escuro.
Apertei as pálpebras, pisquei rápido várias vezes. Nada.
Recebi um telefonema, era meu irmão, aos prantos.
Não, ele não tem medo de escuro. Só do futuro.
E ainda temos.

por elaine esteves

terça-feira, 22 de março de 2011

CXXI

Durante todo o processo de concepção se cansava,mas sorria, pois sua vontade de ver pessoas boquiabertas, 
sentindo palavras, descobrindo sensações, comentando prosa, experimentando a contemporaneidade do ser, o tranquilizava.  
Alguns meses passaram e a luz ainda estava ativa, pedindo para ir, pedindo para descansar, mas nada acontecia. 
A resposta da sua vontade veio em um simples telefonema. Dentro de si fogos de artifício. Ele tinha conseguido. 
Viu-se uma casa grande, amarela clara, ser tomada por uma sombra leve em plena luz do dia.

por elaine c esteves

CXIX

Percebeu a escuridão quando seu amor tocou seu ombro e disse: acabou.

por elaine c esteves

quinta-feira, 10 de março de 2011

CXVIII

Bombay é seu nome, é negro, gordo e tem olhos claros.
Caminha lentamente movendo o corpo na direção contrária de suas orelhas.
Observa a confusão de pessoas no tateado do ar cego.
Passa a língua nos lábios.
Atravessa o caminho na frente de alguns.
Escala um muro alto e mia.
Triunfado de que ninguém pode mais descriminá-lo, nem desviar-se dele. 


por elaine c. esteves


CXVII

O mundo dele era obscuro, e quanto mais eu me aproximava daquele ser, ia cegando.  
Quando a escuridão se fez, ele perdeu todo resto de compaixão que tinha por si, e eu cega, o fazia comer na minha mão.


por elaine c. esteves

sexta-feira, 4 de março de 2011

CXVI

Suspenso por duas cordas que findavam o teto roxo, o pequeno caldeirão
borbulhava, já tragado de uma fumaça densa que insistia em dançar no ar,
as mãos que flutuavam nela faziam um movimento circulatório e uma voz
ecoou:

Eis aqui sua filha, filha da terra,
fruto de vosso anseio,
pra dispor minha alma a sua grandeza
e fazer revelar tua divindade
pra esse feitiço não mais singular,
venho a te evocar,
a pedido da escuridão propagar e sob o universo raiar.

Buuffft.

por elaine cristina esteves

segunda-feira, 26 de julho de 2010

XVI

- Então, acho que é exatamente por aqui aquele sebo que te falei, lembra? – diz Caio, andando e apontando o dedo indicador em alguma direção, em meio à escuridão.
- Ah, sim... lembro. Foi no dia em que te encontrei no teatro, que você falou do sebo. Me diverti muito esse dia...
- Eu também zoei muito.
- Pena que não deu pra ver a peça inteira...
- É, mas foi muito boa a improvisação dos atores quando acabou a luz...
- Será que eles estavam mesmo se beijando ou será que só falaram para aguçar a imaginação da platéia?
- Se foi pra aguçar, conseguiu. Vamos sentar um pouco aqui na praça?
- Pode ser. Aonde tem um banco?
- Aqui ó... nossa, você tá sem blusa, engraçado isso...
- Rs, tipo... foi lá que a gente deu nosso primeiro beijo também, né? Que foi? Você tá sorrindo? Deixa eu sentir...

Caio e Lucas se beijando...

por Elaine Cristina Esteves