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domingo, 23 de janeiro de 2011

CXII

Alguns dias depois, não havia mais cheiros. Foi-se a necessidade do olfato
Alguns meses depois, as pessoas não tinham mais tato (não que muita gente tivesse antes - mas quem tinha, perdeu).
Só sobrou mesmo a audição e o paladar. As pessoas se resignaram a lamber os ouvidos uns dos outros e a grunhir.
Puxa vida, essa crise econômica, hein, pensaram muitos.

por iris yan

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

CIX

Porque a ideia era importante e tinha medo de que lhe fugisse, anotou em um pedaço de papel que estava à mão.

E para achar o maldito papel depois que a Escuridão chegou...?

por iris yan

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

C

cadê o abridor de latas, gritou nervoso. não vejo esta merda, será que esquecemos lá em cima?
calma que o mundo não acabou, querido. só a luz que sumiu, disse-lhe a mulher tocando-lhe no braço.
ah... suspirou quase aliviado.
rodeados de latas e mantimentos na escuridão do porão se preparavam para a terceira guerra mundial.

por iris yan

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

domingo, 12 de setembro de 2010

LXXXVI

- Johnny, quem disse que não posso ir até a caixa-d'água? Eu não sou mais criança
- Voce nao eh mais criancca mas a escuridao nao te fez menos cega, boba...
- Acontece que agora o nível de perigo da caixa d'agua fica igual pra todos e o Johnny enxerga tanto quanto eu...
- Johnny o caralho, meu nome é Zé Pequeno!

por anderson barnabé, hanny saraiva, iris yan e mazé mixo

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

LXII

por iris yan

LXI

por iris yan

LX


por iris yan

LIX

por iris yan

LVIII

 
por iris yan

LVII

por iris yan

LV

Conseguia ver ainda a luz. Não trombava nas coisas, porque para ele o mundo não havia ficado escuro. Enquanto todas as pessoas pareciam cegas à sua volta, enxergava. Mas como convencê-las disso? Ninguém acreditava no que dizia, porque ninguém mais via. Sentiu-se solitário, como o primeiro fax inventado.
 
por iris yan

terça-feira, 17 de agosto de 2010

LIV

Não havia mais pessoas que tinham medo de escuro.
Simplesmente não sobreviveram às primeiras semanas. 
Foram enfartando e morrendo aos poucos.

Sobraram todas as outras pessoas, que continuaram com medo da vida, numa vaga ansiedade em existir.
 
por iris yan

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

LIII

Achou que economizaria, uma vez que não havia mais conta de luz para pagar.
Enganou-se.
Esqueceu-se de que vivia de gato e que já não pagava a conta da Light fazia tempo.
Continuou pobre, continuou sem dinheiro para pagar o gás no final do mês.
por iris yan

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

XLIII

"Eu não vou dar para você nem que a luz volte!" passou a ser uma
expressão comumente usada.
 por iris yan

terça-feira, 3 de agosto de 2010

XXXVI

Quando escureceu tudo, como que por instinto meteu a mão no saco. O instrumento ainda estava lá.
"Pelo menos não estou capado," pensou.
E procedeu para a segunda masturbação do dia.

por iris yan

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

XXXIII

Quem faturou mesmo foi o dono da empresa que fabricava óculos ultravioletas que viam no escuro (como os óculos usados pelo serial killer no filme "O silêncio dos inocentes"). Nem ele esperava por tamanha interferência divina. A partir daí, todo Natal ele distribuía presentes às crianças nas favelas vestido de Papai Noel (podia ir pelado que ninguém repararia, mas era um homem que gostava de manter a tradição). Era sua forma de agradecer pela sua sorte.

por iris yan