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terça-feira, 13 de setembro de 2011

CXXV

Ali Madê estava sentada
Vendo a vida passar
O céu azul e a luz entrar pela fenda na janela
Já havia ouvido música
Viu as cores do tapete, tons felpudos
E das velas na mesa, como derretiam
Ela não notou a textura da almofada
- Assim é ver com os olhos - pensou.
A sua beleza no espelho era crua, dessas nunca tocadas.
Madê assistia ao mundo com os olhos nus de qualquer escuridão
No duo em escuro e claro, acordou num bocejo
E ninguém viu, obviamente.
por renan milezi

sábado, 11 de setembro de 2010

LXXXIV


Meus sonhos, cada vez mais reais e iluminados
Me mostraram a mesa de xadrez na praça
Me mostraram aquela praia que eu ia comemorar
E você, do meu lado fazendo graça

Meus sonhos, tão claros
Deram sentido à minha retina
Coisa que não se aprende mais nas aulas
Também feriu a biologia

E sorrisos?
Nunca mais foram apreciados
Ou assistidos apaixonados
Nunca mais vi seu sorriso, meu amor

Todos me encaram
Mesmo sem troca de olhares
Esse mundo não tá aprendendo
Olhares não nos servem mais
E dos seus, me dói dizer
Mas sinto já estar esquecendo

Bendita luz que acabou
Espelho que já não me serve
Meus vícios que já sumiram
Você que nunca voltou.
por renan brum

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

XLIX

se vestiu
chapéu, blusão e calça.
conversou, bebeu vinho
tinto suave chileno
saiu pra dançar na tentativa de esquecer a doçura de um outro rapaz, queria nunca mais ver aqueles olhos outra vez.

dançou como se estivesse só
toda a tequila do bar era sua por obrigação
a melhor maneira de não lembrar dele ou de mim – pensou.
quando se viu estava sentado junto de um cão
no meio fio

e em um misto nada sensato de lágrimas e vômito
viu tudo apagar de forma embaçada
acreditou na própria loucura, já que nada parecia tão real
seus restos ele ainda expelia com choros soluçantes que só dava pra se ouvir o som

cambaleou e saiu andando pelo escuro até tropeçar no que parecia ser uma motocicleta
caído no chão ouviu uma voz chegando perto e respirou mais fundo
a voz, doce e atordoada, perguntava:
- você está bem?
ele, ofegante, não via, só sentia:
- estou bem, só não some de mim.
por renan brum